terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Cidades fechadas – um mundo paralelo

Poderia aqui apontar diversos momentos da História em que houve isolamentos sociais comunitários, como Sodoma e Gomorra, Babilônia, machu pichu entre outras experiências. Mas não estou falando de História Antiga e muito menos História Medieval. Falo da contemporaneidade, da supremacia de dominação do homem pelo próprio homem para a manutenção do capital e pela disputa imperial de poder.

Há alguns dias venho estudando sobre as “Cidades Fechadas”, boa parte localizada no leste europeu, principalmente na Rússia. Estou falando de mais de 1 milhão de habitantes que ficam enclausurados sem acesso ao mundo exterior. Estou falando demais de 40 cidades fechadas.

Durante o período da primeira e segunda guerra mundial, começou uma corrida imperial pelo poder, pela supremacia. Liderada de um lado pelos EUA e do outro pela URSS, muitos diziam ser a luta do capitalismo contra o comunismo. No entanto, isso não era a verdade, pelo menos, não era toda a verdade, visto que as duas super-potências, representadas por Trumam e Stalin, lutavam pelo poder imperial no capital. A corrida pelo imperialismo - o que foi nomeado de guerra fria - dava-se em todos os espaços, desde culturais, esportivos, alianças imperiais e até a disputa armamentista, que envolvia o desenvolvimento de armas com alcance de destruição em massa.

O processo de criação de armas atômicas é potencialmente danoso e isso torna necessário delimitar um perímetro para proteger a população de doenças que essa indústria pode gerar o que foi nomeado de ZATO (formações territoriais administrativas fechadas). O governo da URSS, que queria fazer enriquecimento de urânio, e fomentar a industria armamentista com o objetivo de se tornar a grande super-potencia mundial, fecha mas de 40 cidades, primeiro com o objetivo de segurança nacional para não ser transmitido radiação para o restante da URSS, e depois com o objetivo de se manter secreto o que ali estava sendo criado.   Esta é apenas uma das hipóteses para o fechamento das cidades.

Como vivem as pessoas dentro dessas cidades?  
Pouco se sabe como vivem essas pessoas, muitas informações ainda são secretas e guardadas pelo governo russo, que tem o controle total de acesso a essas cidades, tendo em vista que a cidade é cercada por milhares de militares, espaço aéreo fechado e cercas de arame farpado.

A população dessas cidades que ainda permanecem fechadas não tem acesso a outros locais, vive em um mundo paralelo há décadas. Nem imagina que o mundo fora dos muros que os trancam já mudou tanto. Não existe comunicação com o mundo externo e quem teve contato com ele o fez antes das cidades serem fechadas, hoje idosos. Não existe internet, TV, rádio ou jornal lá dentro, as cartas enviadas por parentes, antes é examinada pela inteligência russa, só para depois ser entregue. Eles criaram suas próprias regras, sua própria produção e sua própria forma de viver.

Para entrar nessas cidades é necessária uma autorização do governo, que é concedida para poucos pesquisadores, que entram acompanhados, mas o único que saiu e conseguiu dar alguma informação sobre como é dentro das cidades, esta sob proteção de testemunha pelo governo Alemão e ONU, mundialmente conhecido pelo codinome “Sasha”. A roupa com que ele saiu tinha uma elevação de mais de 600% de radiação (o que poderia matar qualquer ser humano em questão de minutos). Outro pesquisador que foi o ganhador do Nobel da Paz e pai da bomba de hidrogênio, Andrei Sakharov, foi tratado como inimigo do estado e enviado para viver em uma cidade fechada.

Como foi a abertura de algumas cidades?  
Algumas cidades que já não tem mais a produção de enriquecimento de urânio foram abertas, após a queda do muro de Berlim e o fim da URSS. Quando isso ocorreu, sua população ficou tão surpresa com o mundo aqui fora que muitos tentaram voltar a ficar fechados. Outros tantos se suicidaram e poucos conseguem viver de forma tranquila.  

Liberdade para todos!  
Bom, não é justo que poucos, buscando manter a supremacia de um império, possam mexer com a vida de tantas pessoas de uma forma tão terrível. Além da exposição a radiações que podem gerar uma série de doenças como o câncer, essas pessoas estão impedidas de viver em sociedade e não têm garantido o seu direito de ir e vir.

Não podemos tolerar que, em pleno século XXI, ainda existam cidades fechadas e que essa população não possa conhecer o mundo. Não tem os direitos básico de todos os cidadão garantidos, como o direito de ter acesso a informação, contato com outras pessoas, direito de dizer não, direito de viver em uma sociedade ampla. Precisamos fazer alguma coisa.

Na Rússia ainda temos 15 cidades fechadas. O governo Russo fala que ninguém esta em cárcere privado só que as cidades tem que se manter fechados como proteção do estado. Precisamos de intervenção imediatamente da ONU para libertar o povo Russo.  

Tarcísio Ramos
Professor de História
Militante dos Direitos Humanos.  

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