domingo, 24 de janeiro de 2016

A NOITE DE UM SOCIALISTA EM UMA IGREJA INCLUSIVA

      


      Falar de Igreja ou dogma no Brasil não é um assunto nada fácil, até porque desde sua colonização a fator religião sempre foi predominante, já nas primeiras embarcações de expedições portuguesas indo descobrir uma rota para índia, já existiam representantes do clero, e depois com as expedições e colonização do Brasil. Os jesuítas tiveram forte influencia durante o processo, durante 300 anos a religião predominante no Brasil foi o cristianismo católico, onde o tribunal da santa inquisição teve forte influencia, sobre os judeus (que se tornavam “novos cristãos”), e nos julgamentos daqueles que tentavam pregar outra religião que não fosse a cristã (principalmente religiões de matriz africana). Além dos julgamentos religiosos, o tribunal da inquisição também julgava padrões sociais, que não consideravam aceitáveis, sendo registrados muitos julgamentos com mortes daqueles que praticavam sodomia (informações podem ser averiguadas no arquivo do Estado de São Paulo).
      Já nos séculos XIX e XX com a abertura do País para novas crenças e dogmas, existe uma corrida interminável pela mercantilização da fé das massas, quem oferece mais ganha mais fiéis, e com isso ganha-se mais dízimo. Além desta situação inevitável nos séculos XIX e XX mesmo com pouco tempo, as Igrejas cristãs não católicas, tem um aumento considerável de fiéis, e ao mesmo tempo uma forte influência sobre a política brasileira, além do forte tempo na mídia televisiva pública. Eles utilizam desse espaço para professar o seu ódio principalmente aos LGBT.
      Pois bem, quem costuma ler as minhas matérias sabe que sempre gosto de colocar alguma análise histórica e depois política em qualquer matéria, mas falar de religião para mim é um assunto muito complexo, sou de formação católica, onde passei minha infância e adolescência dentro de uma igreja, me castrando daquilo que realmente sou, na Igreja fui catequista, ministro, quase fui padre, tinha muitos questionamentos a mesma, principalmente sobre a questão financeira. Uma vez me apaixonei por um ministro, e resolvi assumir a ele o que estava sentindo, ele falou que eu devia me afastar da Igreja, além de acabar comigo. Juntei todos esses fatores e sai da igreja.
      Após 10 anos depois da ultima vez que entrei em uma Igreja, recebo o convite do meu namorado para conhecer a Igreja que ele frequenta, Igreja Cristã Contemporânea (ICC), localizada no Tatuapé - SP.  Antes de ir passou um monte de coisas na minha cabeça, 10 anos não entrando em nenhuma Igreja, historiador, socialista convicto, e uma pessoa contra a hipocrisia dos religiosos, que vão na Igreja dizer que são amor, mas no dia a dia aplicam ódio. Refleti muito e aceitei o convite.
      Acabamos chegando uma hora mais cedo, resolvi fumar uns dois cigarros, comer um pastel antes de ir à Igreja, nesse meio caminho meu namorado sempre encontrava alguém da Igreja, isso me incomodava um pouco, pois estava fumando e me sentia cometendo um crime (alias esse já é um problema das Igrejas não católicas, gostava do padre da minha antiga Igreja que bebia e fumava rsrsrs).
      Chegada a bendita hora de ir ao culto, antes resolvi dar uma volta no quarteirão e fumar mais um cigarro (estava extremamente apreensivo), chegando na Igreja tinha um grupo de pessoas na porta fazendo a recepção de quem chegava, recebia cada pessoa com um beijo no rosto (pelo que eu identifiquei na porta, era uma trans, um homossexual e uma lésbica), isso já me deixou um pouco confortável. Ao entrar na Igreja, somos recebidos pelos “obreiros” que nos cumprimentaram e fizeram também a recepção, percebo uma igreja mediana (estrutura), um painel no auditório com o fundo sendo um céu, a Igreja já lotada. De cara visualizei que o publico da igreja tinha em sua composição 90% masculino (achei esse fator interessante, pois na Igreja católica vejo poucos homens frequentando).
      Sentamos ao fundo da Igreja, e logo começou o momento de louvor, neste momento a minha apreensão foi por terra e se tornou uma calmaria, ouvindo a voz de um excelente cantor chamado Felipe Freire, que tem uma voz com sonoridade feminina (não entendo de música), acompanhado de outros cantores, mais um grupo de dança, eles cantaram diversas músicas começou com a música “aleluia”, eu me arrepiava literalmente, olhava para os lados e via centenas de LGBT, já imaginava que muitos ali não têm a vida das melhores pelo simples fator de serem LGBT, pensava que muitos ali foram expulsos de suas Igrejas de origens, muitos não são aceitos em casa, não são assumidos, vivem a margem da sociedade e todos cantando juntos, pregando seu amor naquilo que acreditam, sem ao menos terem medo de serem o que são ali (pelo menos ali), aquilo me fez escorrer lágrimas diversas vezes, o arrepiou me dominava literalmente. Naquele momento estava passando um filme dos meus 14 anos de militâncias diversos casos que atendi, diversos suicídios, diversos expulsões de casa. Eu vi cada LGBT que sofreu e que passaram em minha vida naquele momento da calmaria. Imaginem o famoso Militante LGBT Durão (que é a fama que eu tenho) chorando?
      Depois desse momento foi o momento da pregação do Pastor Marcos, durante sua pregação ele falou sobre a ressurreição (fundamento cristão), e falava constantemente da importância de cada um ali encontrar Jesus, e de procurar sua paz. Este foi um outro ponto que me fez refletir muito, eu vi ali um Pastor falando do amor, de praticar o amor. Não colocava conceitos, não apresentava ódio, não falava de punição, elementos esses muitas vezes usado pelas demais Igrejas cristãs. Após sua pregação teve mais dois momentos onde ele ora para os fiéis, momento este também, que fazia eu ouvir tantas pessoas orando, que me deixava arrepiado.
      Já no final aconteceu o momento do canto do coral da Igreja, aqui um outro elemento que acho importante, o coral tinha em média umas 20 pessoas, e nesse momento o Felipe, cantor do louvor, cantou junto com o coral, como um integrante qualquer do coral. Este para mim foi algo impactante, pois Jesus é humildade, hoje boa parcela da população LGBT procura viver no mundo do glamour, e este gesto do cantor que estava no glamour, mas que desce e canta igual aos demais do coral, é o gesto onde pode ser encontrado Jesus, o gesto da humildade.
      Além de tudo isso, durante o culto os obreiros iam fazendo orações individuais para aqueles que assim desejassem, existia uma escola dominical para as crianças (aliás outra coisa linda que eu vi lá, casais homossexuais, chegando com seus filhos) e interpretação de libras para os fiéis deficientes auditivos. O que considero como negativo é o espaço, que é bem apertado, pelo menos nas cadeiras. No fim ele apresenta as pessoas novas que foram na Igreja (visitantes), neste momento baixou o militante durão, e não quis me apresentar, deixei de ganhar a lembrança da Igreja rsrsrsrsrs.
Bom, considero que essa experiência a mim foi maravilhosa, gostei muito de estar com eles, e pretendo no próximo domingo voltar. Sei que tem uma ICC na minha cidade, mas quero ir lá mesmo, por enquanto.

      E como militante socialista lembro de meus estudos com Marx e depois com Lenin, ambos falando do antissemitismo, e eram enfáticos em dizer, que os nossos inimigos não são os religiosos de nenhum credo, e sim os capitalistas, que nos oprimem e nos exploram, e este ensinamento que eu sigo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Como é ser um gay no ABC paulista?

Esta pergunta parece um tanto ser relativa, pois deferia ser normal a qualquer ser humano, viver bem em qualquer lugar neste País devia ser um direito garantido. Esta duvida também me trouxe alguns questionamentos enquanto militante LGBT, pois deferia falar de todos os seguimentos, mas me questionei de imediato tendo em vista por mais que eu milite na área não poderia me apropria do sentimento e das vivencias das LBT, já se faz um tanto difícil poder falar do gay nessa circunstancia, até por conta que o ABC paulista, é uma macro região, com mais de 2 milhões de habitantes, que permeiam em 7 cidades, tendo algumas delas mais desenvolvimento que as outras.

O ABC paulista é conhecido pela sua historia, a beira da ferrovia, e mais recentemente é conhecida pelas grandes lutas mertalugicas, ocorridas nas décadas de 70 e 80. Região essa onde existe uma forte politização em praticamente tudo, em cada esquina, bar, mercado, a política sempre é pauta, praticamente todos os partidos políticos do Brasil tem inserção no ABC, e fora as dezenas de correntes políticas, que fazem grandes debates. Se um dia o Brasil se tornar socialista, com certeza vai começar pelo ABC. Alias sempre indico para as amizades de outros estados ou regiões, “você quer militar, venha fazer formação política no ABC”.

Essa região devia ser considerada a região dos sonhos para qualquer LGBT, essa região devia ser a região libertadora do País. Mas não ao mesmo tempo que existe um forte impacto de setores da esquerda revolucionários no ABC existe também um forte impacto da direita, e é a partir daí que pretendo descrever como se vive um gay no ABC paulista.



Pois bem o ABC paulista não se diferencia muito da capital, como também não se diferencia de cidades do interior do Estado de São Paulo, por isso carinhosamente chamamos de província. As alternativas de lazer para um LGBT são praticamente remotas, existe um barzinho ou outro especifico para LGBT, nada sensacional, geralmente escondido onde se entra em uma portinha lateral para se manter o espaço sigiloso. Resumidamente para LGBT só tem isso de lazer, e muitos acabam pegando trem e metro para procurar algum lazer pelo centro de São Paulo. Agora os guetos, são muitos.

No ABC diversos espaços públicos se tornaram guetos, como praças, banheiro do shopping e o paço municipal de Santo André. Alias o paço municipal de Santo André foi o objeto de minha pesquisa para uma monografia. Dias após dias ficava sentado na escadaria do fórum municipal, vendo o movimento, e tudo acontece de forma muito rápida, diversos caras caminham pelo paço vão se olhando, se um curtir o outro pelo o olhar se comunicam, e um vai atrás do outro para trepar em baixo de uma passarela que leva ao centro comercial da cidade. Mas o publico nessa região é formado por homens geralmente menores de 18 anos ou maiores de 40 anos (na ampla maioria casados), aqui vemos um problema da guetização, homens que foram obrigados socialmente se casar, mas que a noite tem que ir a guetos se satisfazer sexualmente, e muitos deles não usam preservativo pela questão básica de não deixar vestígios que esteve trepando com outro homem. Aqui poderia aprofundar mais, falar sobre as DST, que este tipo de situação leva as mulheres casadas, e aos jovens, mas hoje não é o tema. Poderia falar também aqui sobre a necessidade de motéis públicos, que pelo menos iria garantir um pouco de higiene durante as relações sexuais.

A prostituição no ABC paulista também é muito forte, nos centros das cidades existem diversas casas de prostituição de mulheres, agora as travestis geralmente se prostituem na avenida industrial em Santo André, e na região do terminal ferrazopolis em São Bernardo, esses dois pontos de prostituição também são conhecidos pelo forte índice de violência, muitas delas sofrem diariamente perseguições e espancamentos, e ponto de hoje terem que trabalhar armadas. Outro ponto de prostituição e a masculina que fica na rua dona Carlota em Santo André, são em sua maioria jovens, ex presidiários, heterossexuais, que não querem mais voltar para a vida do crime, e como o mercado de trabalho não abre portas para quem tem antecedente criminal , eles acabam se jogando para a prostituição. E o pior para eles, mesmo sendo hetero a maioria de seus clientes são homossexuais, e eles acabam se submetendo ao um sexo ao qual não tem prazer.



Quando usamos a sigla ABC, para muitos a primeira coisa que vem a cabeça são os “carecas do ABC”, muito famosos por perseguir, espancar e matar LGBT, e não é apenas fama, como falei anteriormente, ao mesmo tempo que a esquerda é muito forte no ABC, a direita também é, e podemos começar este debate com os carecas, e diga-se de passagem eles tem sede própria no ABC, tem apoio da policia, vem e vão a vontade como se as terras fossem deles, e eles os donos das leis. Não precisamos andar muito para encontrar eles, principalmente pelo centro de Santo André. Assim também teve o avanço dos setores fundamentalistas, que persegue pelo discurso de ódio aos LGBT, isso ficou extremamente nítido na aprovação dos PME em todos os municípios da região.

E o poder publico o que esta fazendo? Bom esta pergunta é a que eu me faço diariamente. Aqui no ABC as prefeituras ou são do PT ou são de sua base aliada, a única que poderia ser oposição é da cidade de Rio Grande da Serra que o prefeito é do PSDB, mas pasmem, ele se diz base aliada da Dilma, e é contra o Aécio rsrsrsrs. Aqui política publica para LGBT é inexistente, para se ter uma ideia em Santo André quem cuida da demanda LGBT, é uma heterossexual, religiosa e fundamentalista. Nas outras cidades praticamente não existe nenhum trabalho para LGBT, não tem albergues, nem existe política de saúde, segurança, não existe nada, não dialogam com a sociedade civil LGBT, vejam a conferencial regional LGBT do ABC que teve apenas a participação de 15 LGBT da sociedade cível, sendo que a região tem mais de 2 milhões de habitantes.

Bom resumindo ser gay no ABC paulista é um ato heroico, como em praticamente todo o Brasil, mas as características da região são terríveis, fazem com que muitos gays não saiam do armário, o medo assombra cada esquina, e a falta de apoio é constante. Muitos vão ler esta matéria e dizer que estou me lamentando, mas não, estou demonstrando a triste realidade de um homossexual no ABC, eu mesmo uma vez pegando um ônibus em Santo André com meu acompanhante, fui fortemente pressionado por 5 caras, que me ameaçavam, davam empurrões e assim por diante. Quero meu direito de ir e vir sem ter medo de ser feliz..


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Para o mundo o Jean Wyllys “cagou”



Já falo no sentido amplo da palavra. Hoje cada passo que o Deputado Federal pelo Rio de Janeiro dá, torna-se um grande evento. Nunca antes na historia desse país um parlamentar foi tão seguido pelos paparazis rsrs. Dessa forma que anda a situação do Deputado logo teremos a noticia em primeira pagina dos jornais “a defecada matinal do deputado Jean”, vai ter um setor que vai questionar que o horário foi de opressão ao excremento, vai ter outro setor que vai fazer uma nota de repudio porque ele não sentou na posição correta, ainda vai ter os que dirão que ele não devia ter abaixado a descarga e sim ter transformado sua defecação em adubo.

Pois bem comecei o dialogo com uma pequena brincadeira (De muito mau gosto), porque chega a ser irritante a forma que a mídia e redes sociais vêm transformando o Jean o centro das atenções em tudo (nada do que ele também não goste). Com este dilema acabamos tirando o foco na situação conjuntural do país, que no próximo mês, pode bater recorde na taxa de desemprego, que a partir de março podemos sofrer a maior recessão já ocorrida, alem da votação do impedimento da presidente.

Não vim aqui passar a mão na cabeça do deputado federal Jean Wyllys até porque tenho uma caracterização que o mesmo cometeu uma série de erros políticos nos últimos anos, erros entre eles grotescos como sair de braços dados com a presidente Dilma antes da eleição do segundo turno de 2014, não ouvir a base do partido, nem participar do congresso Nacional do mesmo, mostrando seu desprezo.

Mas acho que a esquerda vem cometendo um erro trágico de sectarismo, de achar que temos que isolar os trabalhadores e juventude de uma nação porque seu “estado” (poder) cumpre o papel de massacre a outros povos, como é o caso de Israel, que vem massacrando a dezenas de anos o povo palestino. E temos sim que criminalizar o genocídio do povo palestino. Mas se apontarmos o bloqueio a qualquer dialogo com a classe operaria de Israel devemos fazer o mesmo com outras tantas potencias, como o caso da França, onde seu “estado”, vem matando milhares de sírios, contra os EUA que mantém todo o sistema de massacre a nações pobres ou até mesma a Rússia, que mantém milhares de Russos trancados em cidades fechadas, nações que não tem dignidade nenhuma para com os direitos humanos.

Considero que o Jean Wyllys não errou em ir abrir dialogo com estudantes e operários de uma nação, e ali apontar a necessidade de paz, a necessidade de criação de um estado socialista. Ele erra de não ter feito o mesmo com o povo palestino, e com a sua juventude. Agora no que tanche ele palestrar em uma universidade judaica, e apontarmos isto como errado também estaremos errados de entrar em universidades filantrópicas e religiosas, para fazer debates aqui no Brasil, chega a soar hipócrita de nossa parte falarmos sobre isso. Não é porque a PUC é da igreja católica, que os estudantes da mesma sigam a mesma linha, a mesma doutrina, ou que sejam capitalistas. Alias em falar na igreja católica, acho muito interessante não fomentarmos um debate mais profundo sobre o “estado do Vaticano” também, ou sobre o massacre que a igreja católica promoveu, ou sobre o massacre que ela provoca com lavagens cerebrais que levam centenas de pessoas ao suicídio.

Bom como o velho Marx e depois o velho Lênin dizia, nossos inimigos não são os religiosos de nenhuma nação, assim como nenhuma juventude operaria, nossos inimigos são os capitalistas de todas as nações, e é contra eles que iremos combater o estado que nos explora e que nos oprime.


Ainda em tempo acho que parte da assessoria do Jean erra com sua arrogância e prepotência além da falta de respeito, acho que inclusive parte dessa assessoria que influencia os erros do Jean, mas em outro sentido tiro o chapéu para eles que também coloca cara a tapa, e vai para o debate de ideias. 


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Mae e filha são agredidas em mais um caso de LGBTfobia



                   No dia 24 de Dezembro (véspera de natal) por volta do meio dia, Cleide (Mãe) e sua filha (lésbica menor de 18 anos que não iremos divulgar seu nome para resguarda-la) junto com os netos  estavam em casa organizando os preparativos para o natal na região da Zona Sul da capital Paulista. Neste mesmo dia a senhora Cleide tinha contratado uma pessoa para retirar entulhos que estavam na porta de sua casa. Em um dado momento do dia por conta do forte calor a filha da Cleide a chama para ir ate porta de casa tomar um ar,e  é neste momento que começam as atrocidades.
                  Logo que chegam a porta de casa o seu vizinho “ guto”começa a provocar a Cleide falando “se vir alguma pedrinha para o meu lado o bicho vai pegar, esse bando de pau no @$”, a Cleide resolveu não cair em suas provocações e respondeu “Guto não se preocupe que os entulhos não vão ficar, já estou limpando para ninguém ter trabalho com nada, e para meus netos não se machucar, pode ficar tranquilo que vai ficar limpo e organizado” e ele respondeu “cala a boca sua pau no @$, arrombado do c@#$%¨&”, e daí ela perguntou “o que é”, e ele voltou afirmar o que tinha acabado de falar alem de desferir outros palavrões, começou a gritar, os nervos se elevaram. Neste momento o vizinho parte para ofensas pessoais, primeiro desferindo palavras referentes as tatuagens da senhora Cleide e depois começou a falar de sua filha lesbica de forma pejorativa “Vai sua mãe de sapatão, mãe de sapatão, aquela cheradora de Bu#@$%”, a senhora Cleide questiona o que ele esta falando. O “Guto” demonstrou seu machismo chamando a senhora Cleide para “a porrada”, e ela diz que não iria brigar e sim levaria o caso para a justiça por Homofobia. Neste momento a filha da senhora Cleide que estava dentro de casa saiu, e de imediato o vizinho “Guto” desferiu um soco na cara da menina levando-a ao chão, a mãe indignada começou a questionar ele por estar agredindo uma jovem com menos de 18 anos de idade. Quando a jovem se levanta, ele se prepara para desferir outro soco contra a menina, foi neste momento que a mãe entrou na frente da filha e recebeu um soco dele.
                   Após os fatos mãe e filha fizeram boletim de ocorrência, e depois foram ao hospital quanto a mãe esta tudo bem agora, já a filha existe uma suspeita de rachadura no crânio ao qual a levou a fazer uma tomografia. O vizinho Guto ficou algumas horas detidos, e depois não voltou para casa. A senhora Cleide esta fazendo o pedido de uma cautelar para que ele permaneça a distancia dela e de sua filha.
                 Bom em casos como este, vemos todos os dias, não é por acaso que o Brasil é líder mundial em assassinatos a LGBT, sofremos constantemente em todos os espaços principalmente dentro de nossas casas, e quando não é dentro de casa (Como este caso), é na rua, na escola, no trabalho. Sofremos agressões físicas e psicológicas, precisamos parar este monstro que é a LGBTfobia, e neste caso também o machismo explicito.
                   A senhora Cleide e a filha iram ser acompanhadas na próxima semana para fazer todos os procedimentos legais de denuncia da LGBTfobia, mas nesse momento precisamos do apoio de todos para divulgar esta matéria, só conseguiremos parar esta situação indo para ofensiva imediatamente.
Segue em anexo as imagens.





segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

10 características que identificam se você é de esquerda



O atual momento que o país vem passando, com crises econômica, social e de poder, alem dos escândalos de corrupção, o corte dos direitos dos trabalhadores, com ajuste fiscal, corte nas verbas sociais, desemprego, aumento dos juros e inflação descontrolada o avanço do conservadorismo, faz com que o debate político se torne pauta dentro de todas as casas no Brasil, faz com que os brasileiros procurem uma alternativa de saída para resolver estes problemas.
Nesse contexto de interesse em entender um pouco mais de política e cooptação da insatisfação alheia pela grande mídia e pela direita golpista, venho colocar aqui algumas características de esquerda. E se você se identificou com todas elas ou com a maioria delas, tenho uma boa noticia, você é de esquerda.
Mas antes um breve histórico sobre como foi realizada a diferenciação de esquerda e direita. A primeira vez que esta terminologia foi usada para caracterizar algum setor político, foi após a revolução francesa (o que chamamos também de berço da democracia), a massa populacional liderada pelos iluministas e burgueses (pequenos e médios), que não aguentavam mais a situação caótica da França no século XVIII derrubaram o império de Luiz XVI, e a assembleia geral que era tripartite (1/3 para nobreza, 1/3 para o clero e 1/3 para o restante da massa), foi desfeita,  a massa questionava esse sistema que sempre favorecia o rei, tendo em vista que a nobreza e clero sempre se uniam a favor dos interesses do rei (mesmo representando a minoria da massa), após a revolução foi criada a assembleia legislativa, homens eleitos.
Nesta nova assembleia, a nobreza e o clero não gostavam de se misturar aos demais membros, e tinham o habito de se sentar a direita do parlamento, e os revolucionários (massa) se sentavam a esquerda. A linha de pensamento da nobreza e clero era de interesse próprio, de manutenção da ordem e garantia de seus privilégios, de suas terras e caráter conservador. Os revolucionários que se sentavam a esquerda do parlamento tinham interesse coletivo, pensavam na massa, na divisão de riquezas, do fim da dominação do império, e que só dessa forma poderia resolver a crise econômica que o país passava. Este quadro criado no parlamento foi e é o quadro utilizado até os dias atuais para determinar o que é esquerda e direita. Ou ser “de direita”, ou ser “de esquerda”.

Dez características claras de esquerda

10 – Solidariedade.
A solidariedade não é apenas uma palavra jogada aos ventos pelos religiosos, mas uma pratica de demonstrar e praticar a solidariedade com o próximo, a pratica do dividir, ajudar, ouvir e estar próximo.


9 – Contra a desigualdade social
No dia a dia vemos a fome, aumento de pessoas em situação de rua, a seca no nordeste, falta de atendimento médico e acesso a educação nas periferias. E nos demonstramos a nossa insatisfação com esta realidade.


8 – A favor da divisão de terras
Temos uma extensão territorial no Brasil gigantesca, mas onde poucos tem acesso a terra e a produção, enquanto muitos moram amontoados, nas ruas e em favelas. A terra é um bem natural de todos, não de poucos.


7 – Contra a opressão e discriminação.
Vivemos em um pais machista, racista, LGBTfobico e preconceituoso. Gradativamente vem mudando este quadro, e os direitos básicos a setores oprimidos vem sendo garantidos, com apoio da população, lei Maria da penha, garantias ao nome social, lei de cotas para negros e deficientes, estatuto do idoso e da criança e adolescentes, entre outros.


6 – A favor das liberdades individuais.
Todos têm o direito de decidir por sua vida e a mulher pelo seu corpo. Utilização ou não da maconha para fins medicinais, ou de lazer deve ser decidido pelo usuário, e não deve ter intervenção do estado sobre sua escolha.


5 – Contra o desmatamento
A corrida cada vez maior pela produção agrícola e pecuária nas terras brasileiras dos grandes produtores, leva ao desmatamento sem controle algum da terra, gerando catástrofes que não são naturais. Queremos um mundo mais verde, e menos cinza.


4 – Contra a exploração
O sistema que vivemos (capitalismo) explora os trabalhadores e trabalhadoras, na visão infinita do lucro e acumulo do capital, mulheres e homens trabalham incessantemente para dar o lucro ao patrão pelo seu trabalho vendendo sua mão de obra. Dentro do capitalismo buscamos direitos básicos de sobrevivência dos trabalhadores neste contexto.


3 – Pensar no coletivo
Este é um exercício comum para quem é de esquerda, mas um exercício muito difícil, primeiro porque temos que superar o nosso individualismo, e pensar que juntos com outros que tenham os mesmos objetivos conseguiremos atingir a nossa meta, nas escolas, universidades, trabalho, bairro, sindicato entre outros tantos espaços.


2 – Laicidade do Estado.
Respeito a todas as religiões e crenças, que todo o individuo possa pregar o que considera melhor para si, mas a religião ou crença não deve intervir sobre a decisão do Estado.


1 – Liberdade
Liberdade em tudo, garantia do direito de ir e vir sem sofrer questionamentos e perseguições.


Muitos dizem que ser de esquerda é usar vermelho, andar com uma camiseta do Che Guevara, ler Marx, ir em passeatas, gostar de ouvir Chico Buarque, mas esquerda não é isso, ser de esquerda vai muito além de gostos musicais, literários ou por cor. Ser de esquerda é ser humano com o próximo. Ser de esquerda é maneiro.

Andei Perguntando em três grupos no Whats (grupo de militância de esquerda TLS, grupo de filósofos e em um grupo LGBT), “o que é ser de esquerda para você?”, olha as respostas que chegaram.








terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Cidades fechadas – um mundo paralelo

Poderia aqui apontar diversos momentos da História em que houve isolamentos sociais comunitários, como Sodoma e Gomorra, Babilônia, machu pichu entre outras experiências. Mas não estou falando de História Antiga e muito menos História Medieval. Falo da contemporaneidade, da supremacia de dominação do homem pelo próprio homem para a manutenção do capital e pela disputa imperial de poder.

Há alguns dias venho estudando sobre as “Cidades Fechadas”, boa parte localizada no leste europeu, principalmente na Rússia. Estou falando de mais de 1 milhão de habitantes que ficam enclausurados sem acesso ao mundo exterior. Estou falando demais de 40 cidades fechadas.

Durante o período da primeira e segunda guerra mundial, começou uma corrida imperial pelo poder, pela supremacia. Liderada de um lado pelos EUA e do outro pela URSS, muitos diziam ser a luta do capitalismo contra o comunismo. No entanto, isso não era a verdade, pelo menos, não era toda a verdade, visto que as duas super-potências, representadas por Trumam e Stalin, lutavam pelo poder imperial no capital. A corrida pelo imperialismo - o que foi nomeado de guerra fria - dava-se em todos os espaços, desde culturais, esportivos, alianças imperiais e até a disputa armamentista, que envolvia o desenvolvimento de armas com alcance de destruição em massa.

O processo de criação de armas atômicas é potencialmente danoso e isso torna necessário delimitar um perímetro para proteger a população de doenças que essa indústria pode gerar o que foi nomeado de ZATO (formações territoriais administrativas fechadas). O governo da URSS, que queria fazer enriquecimento de urânio, e fomentar a industria armamentista com o objetivo de se tornar a grande super-potencia mundial, fecha mas de 40 cidades, primeiro com o objetivo de segurança nacional para não ser transmitido radiação para o restante da URSS, e depois com o objetivo de se manter secreto o que ali estava sendo criado.   Esta é apenas uma das hipóteses para o fechamento das cidades.

Como vivem as pessoas dentro dessas cidades?  
Pouco se sabe como vivem essas pessoas, muitas informações ainda são secretas e guardadas pelo governo russo, que tem o controle total de acesso a essas cidades, tendo em vista que a cidade é cercada por milhares de militares, espaço aéreo fechado e cercas de arame farpado.

A população dessas cidades que ainda permanecem fechadas não tem acesso a outros locais, vive em um mundo paralelo há décadas. Nem imagina que o mundo fora dos muros que os trancam já mudou tanto. Não existe comunicação com o mundo externo e quem teve contato com ele o fez antes das cidades serem fechadas, hoje idosos. Não existe internet, TV, rádio ou jornal lá dentro, as cartas enviadas por parentes, antes é examinada pela inteligência russa, só para depois ser entregue. Eles criaram suas próprias regras, sua própria produção e sua própria forma de viver.

Para entrar nessas cidades é necessária uma autorização do governo, que é concedida para poucos pesquisadores, que entram acompanhados, mas o único que saiu e conseguiu dar alguma informação sobre como é dentro das cidades, esta sob proteção de testemunha pelo governo Alemão e ONU, mundialmente conhecido pelo codinome “Sasha”. A roupa com que ele saiu tinha uma elevação de mais de 600% de radiação (o que poderia matar qualquer ser humano em questão de minutos). Outro pesquisador que foi o ganhador do Nobel da Paz e pai da bomba de hidrogênio, Andrei Sakharov, foi tratado como inimigo do estado e enviado para viver em uma cidade fechada.

Como foi a abertura de algumas cidades?  
Algumas cidades que já não tem mais a produção de enriquecimento de urânio foram abertas, após a queda do muro de Berlim e o fim da URSS. Quando isso ocorreu, sua população ficou tão surpresa com o mundo aqui fora que muitos tentaram voltar a ficar fechados. Outros tantos se suicidaram e poucos conseguem viver de forma tranquila.  

Liberdade para todos!  
Bom, não é justo que poucos, buscando manter a supremacia de um império, possam mexer com a vida de tantas pessoas de uma forma tão terrível. Além da exposição a radiações que podem gerar uma série de doenças como o câncer, essas pessoas estão impedidas de viver em sociedade e não têm garantido o seu direito de ir e vir.

Não podemos tolerar que, em pleno século XXI, ainda existam cidades fechadas e que essa população não possa conhecer o mundo. Não tem os direitos básico de todos os cidadão garantidos, como o direito de ter acesso a informação, contato com outras pessoas, direito de dizer não, direito de viver em uma sociedade ampla. Precisamos fazer alguma coisa.

Na Rússia ainda temos 15 cidades fechadas. O governo Russo fala que ninguém esta em cárcere privado só que as cidades tem que se manter fechados como proteção do estado. Precisamos de intervenção imediatamente da ONU para libertar o povo Russo.  

Tarcísio Ramos
Professor de História
Militante dos Direitos Humanos.